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Apoio domiciliário e a arte de cuidar me casa

As medidas de combate à Covid-19 obrigaram-nos a reinventar os cuidados de saúde. A pandemia forçou o mundo a mudar a maneira como as pessoas viviam e aos profissionais de saúde proporcionou oportunidades para avaliar as suas respostas em tempos de crise. Foi possível identificar lições a aprender e desenvolver estratégias de intervenção em vários campos. Se por um lado as nossas vidas ficaram em suspenso, a verdade é que por outro percebemos a importância que o apoio domiciliário pode ter.



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Segundo a Organização Mundial de Saúde, o apoio domiciliário surge como uma resposta eficaz aos problemas com que os idosos se confrontam. Numa sociedade cada vez mais envelhecida, esta população acaba por ser um dos grupos que mais beneficia destas práticas, evidenciando-se uma intervenção mais individualizada e diferenciada que tanto beneficiam. Para esta organização, o domicílio é um local com ligações e associações a emoções, memórias e conforto. Essencialmente, o apoio ao domicílio pretende promover, manter ou recuperar a saúde. E assim maximizar o nível de independência ou minimizar os efeitos da doença ou de possível deficiência, bem como fornecer apoio social ao idoso e à sua família.

Muitos fatores podem contribuir para que alguém precise de cuidados ou apoio domiciliário. Tais como:

  • a existência de deficiências físicas,

  • um diagnóstico mais grave de uma doença,

  • uma recuperação pós-cirúrgica,

  • limitações,

  • o agravamento das condições ou sintomas de uma doença existente,

  • o declínio da saúde global do utente,

  • barreiras inerentes aos transportes (necessidade de acompanhamento do familiar, desgaste físico e de tempo e custos),

  • burocracias, entre outros.

O apoio domiciliário em contexto pandémico:

Em contexto pandémico, deixar alguém que não conhecemos entrar em nossas casas pode parecer pouco seguro. Mas fazendo a reflexão, facilmente entendemos que a exposição ao vírus passa a ser muito menor. Podemos reduzir ou evitar as deslocações do utente a um hospital, o que muitas vezes acaba por acontecer em transportes que não são o seu, aumentando mais a possibilidade de contágio, além do tempo gasto no transporte.

Numa visita ao domicílio são tomadas todas as precauções, existindo a máxima preocupação com a segurança do utente e da sua família. Mais importante ainda, quem recebe os cuidados domiciliários tem acesso a cuidados mais personalizados e individualizados por uma equipa multidisciplinar, estabelecendo uma relação segura e mais próxima. Os prestadores de cuidados proporcionam um sentido de companheirismo e compaixão que não se encontra tão facilmente em grupos grandes.


Os benefícios do apoio domiciliário:

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"A aprendizagem motora deve ser realizada em diferentes situações da vida diária e não só no departamento de reabilitação" (Raine 2007, IBITA 2008, Tragam et Al. 2009)

1. Foco no utente e adequado ao meio:

Os cuidados são focados totalmente no doente, ao contrário de certos hospitais, clínicas ou lares, em que um profissional de saúde acaba por ver vários doentes ao mesmo tempo. Esse foco total no utente permite atender todas as suas necessidades, que acabam por ser mais fáceis de reconhecer. No seu lar, onde se sente mais confortável e existe uma maior autonomia e independência, é possível adequar o tratamento ao meio envolvente e real.

2. Dar continuidade ao tratamento:

É possível ter conhecimento das condições em que o utente vive, e assim adaptar o tratamento ao seu meio envolvente recorrendo a estratégias que permitam ao utente continuar o tratamento mesmo depois da sessão terminar.

3. Envolver a família e os cuidadores:

Através dos domicílios, os cuidados vão muito além do doente. Os seus cuidadores e família são parte integrante do tratamento, e podem esclarecer facilmente todas as dúvidas, bem como aprender a lidar e tratar do familiar da melhor maneira. É sempre feito o ensino de estratégias à família, no sentido de facilitar e dar continuidade ao tratamento. Valorizando e centrando a intervenção igualmente para o cuidador (sempre que se ache necessário).

4. Atenuar o isolamento:

Uma das situações que mais se viu com o desenvolvimento da pandemia, e das medidas tomadas para a combater, foi a intensificação do isolamento. As pessoas ficaram mais sós, impedidas de receber os seus familiares. As visitas domiciliares são um momento de encontro social, em que muitas vezes além do tratamento, é a única visita que os utentes recebem.

5. Reabilitação tem mais sucesso:

Os resultados obtidos são fortemente influenciados por determinados fatores, mas quando a recuperação é feita em casa, os utentes tendem a recuperar mais rápido. Assim como têm significativamente menos hipóteses de voltarem a ser hospitalizados.

Aos poucos vamos voltando à normalidade, mas os serviços de apoio domiciliário são uma aposta forte e segura. E para os profissionais uma forma de continuar os tratamentos, tão necessário e colocado em segundo plano. É possível constatar progressos mais significativos na recuperação, uma vez que ao atuar no meio real do utente, permite uma intervenção mais diferenciadora e com possibilidade ao utente de dar continuidade ao tratamento.

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