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10 Mitos sobre o AVC

O AVC é uma emergência médica que se caracteriza pela súbita diminuição do fluxo sanguíneo no cérebro, o que impede que este órgão receba o oxigénio e nutrientes necessários à sobrevivência das células cerebrais. Mas existem vários mitos associados a esta doença.





1. O AVC não se pode prevenir

Existem alguns fatores em que não há possibilidade de intervenção como a genética, a idade ou o género. Existem outros fatores que podem aumentar a probabilidade de ter um AVC, a maior parte está relacionada com o estilo de vida e, por esse motivo, são considerados modificáveis, tornando o AVC uma doença prevenível.


Assim, controlar a pressão arterial, a glicemia (níveis de açúcar no sangue) e o colesterol, adotar uma alimentação saudável, pobre em gorduras e sal, praticar exercício físico regularmente, não fumar (fumar duplica o risco de ter um AVC), nem consumir bebidas alcoólicas em excesso, são pequenas ações que, certamente, farão a diferença e ajudarão na prevenção. Nas pessoas que têm fibrilação auricular (tipo de arritmia cardíaca) existe a possibilidade de uma terapêutica específica para prevenir AVC.


2. O AVC afeta todos os utentes da mesma maneira

Cada AVC é único. Diferentes áreas do cérebro controlam funções específicas. Consequentemente, o local do cérebro que sofreu a lesão determina a função que é afetada. Além disso, outros factores influenciam a forma como um AVC afeta os utentes, como a área e extensão da lesão cerebral e o tipo de AVC (isquémico ou hemorrágico).


3. Os utentes que sofreram um AVC apenas precisam de tratamentos de fisioterapia

Além das incapacidades físicas, os utentes também enfrentam dificuldades emocionais e sociais. Uma vez que um AVC pode afectar tantos aspectos da vida de uma pessoa, a reabilitação deve ser feita por uma equipa de profissionais de saúde de diversas áreas, sempre que possível com o envolvimento de familiares e amigos. Deve ser cuidadosamente estabelecido um plano de acordo com uma avaliação específica, individualizada, atenta e ponderada das áreas afetadas. Uma intervenção multidisciplinar é particularmente importante neste processo, de modo a assegurar que são feitos os esforços necessários para recuperar tanto quanto possível as funções que sofreram lesões.


4. Só há um tipo de AVC

O AVC pode ter duas naturezas. Pode ser isquémico, quando há a obstrução da artéria, impedindo a passagem de oxigênio para as células cerebrais. Este bloqueio pode dever-se a uma trombose (quando se forma um coágulo no interior de uma artéria cerebral) ou a uma embolia (quando um coágulo pré-existente é transportado pela circulação sanguínea). Ou hemorrágico, quando há a hemorragia de um vaso cerebral em algum ponto do sistema nervoso.


Além destes dois tipos, existe ainda o Ataque Isquémico Transitório (AIT), causado por um bloqueio pequeno e temporário num vaso sanguíneo no cérebro. É uma condição neurológica súbita, de curta duração. Apesar de em si não causar danos permanentes ao cérebro, é um sinal de alerta. Ter tido um AIT aumenta o risco de outros acidentes vasculares cerebrais.


5. O AVC só acontece aos idosos

Não é verdade, cerca de um quarto dos AVC ocorre em pessoas com menos de 65 anos. Além disso, crianças e jovens também podem sofrer um AVC.


6. O sintoma mais frequente do AVC é a dor de cabeça

Apensa cerca de 30% dos doentes com AVC referem cefaleias (dor de cabeça). Os principais sinais surgem de forma súbita, podem surgir de forma isolada ou em combinação e são conhecidos com os 3 F's:

  • Face: sensação de "boca ao lado", desvio da face;

  • Força: um braço ou uma perna perderem subitamente a força ou ocorrer uma súbita falta de equilíbrio;

  • Fala: pode parecer estranha ou incompreensível e o discurso não fazer sentido.

Uma forte dor de cabeça súbita e muito intensa, diferente do padrão habitual e sem causa aparente, pode ser um sintoma, mas secundário, assim como a perda de visão de um ou de ambos os olhos ou a visão dupla.


7. A dor no peito é um sinal de AVC

O AVC acontece no cérebro, quando é interrompido o aporte de oxigénio e nutrientes às células cerebrais. Não acontece no coração, sendo que a dor no peito acontece no enfarte cardíaco. Contudo, existem doenças cardíacas que aumentam o risco de sofrer um AVC, entre elas a fibrilação auricular.


8. Se descansar, os sintomas desaparecem

A identificação precoce dos sinais de alarme e o rápido contacto para o 112, que disponibilizará meios de auxílio específicos e transportará o utente ao hospital proporcionam um tratamento atempado e adequado. Além disso, após um AVC, existe um risco elevado de sofrer um novo episódio mais grave se não for tratado. O tratamento imediato pode ser a diferença entre a vida ou a morte e a única maneira de conseguir uma recuperação completa ou evitar sequelas graves.


9.Não é possível sofrer mais do que um AVC

É de máxima importância o controlo das diferentes patologias relacionadas com o AVC, para reduzir o risco de sofrer um novo episódio. Uma vez que cada AVC é único, cada utente tem o seu próprio conjunto de fatores de risco que contribuíram para o primeiro episódio. Saber o que causou o primeiro AVC pode ser importante para prevenir outro.


10. Não existe tratamento para o AVC

Na verdade, existe a hipótese de tratamento eficaz em algumas situações. No caso do AVC isquémico, é possível, em condições específicas, realizar trombólise (administrar um fármaco que permite diluir o trombo que está a obstruir a artéria) ou trombectomia (retirar o trombo da artéria através de um procedimento específico - cateterismo). Em qualquer um destes tratamentos, o resultado depende muito da precocidade da intervenção. No caso dos AVC hemorrágicos poderá também, em situações muito específicas, ser necessário a correção endovascular do vaso que sangrou ou mesmo intervenção cirúrgica.

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