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A abordagem multidisciplinar nas dificuldades de alimentação

A alimentação assume uma importância vital para o ser humano. Quando as dificuldades na alimentação surgem têm um grande impacto na vida diária, quando a pessoa não quer comer, recusa ou apresenta resistência a certos alimentos é importante perceber porquê. Uma abordagem multidisciplinar pode ser fundamental para ultrapassar ou minimizar estas dificuldades.


As dificuldades alimentares podem-se manifestar em diferentes comportamentos e em diferentes idades e é imprescindível perceber quais as competências que estão mais comprometidas e que justificam a dificuldade alimentar apresentada. Neste artigo falamos-lhe um como se caraterizam, quais as causas mais comuns e como uma equipa composta por profissionais de várias áreas de intervenção aborda estas dificuldades.



A alimentação é uma atividade essencial aos seres humanos, necessária para manter a vida e garantir o crescimento, e por outro lado, é também um grande desafio para algumas pessoas, especialmente crianças, e uma fonte de stress para os pais/cuidadores. Os atuais critérios de diagnóstico para estas doenças são complexos e difíceis de aplicar na prática clínica, levando ao subdiagnóstico e ao atraso no diagnóstico das mesmas. Independentemente da causa, estes doentes requerem uma avaliação muito cuidada por uma equipa multidisciplinar.


Como se caracterizam as dificuldades de alimentação?


As dificuldades de alimentação são geralmente mais significativas em idade pediátrica. Podem caracterizar-se por:

  • Recusa alimentar;

  • Ingestão seletiva e/ou de pouca quantidade;

  • Aversão alimentar, e;

  • Comportamento negativo à refeição.

As dificuldades alimentares resultam em consequências negativas, como a má nutrição, desidratação e problemas cognitivos e comportamentais a longo prazo.


Quais são as causas mais comuns?


As causas mais comuns para as dificuldades alimentares estão relacionadas com as doenças orgânicas e os problemas comportamentais. As doenças orgânicas que causam diminuição do apetite ou provocam uma alimentação dolorosa, levam a um estilo de alimentação intrusivo e vigilante por parte dos pais e/ou cuidadores e consequentemente à recusa alimentar. Os fatores médicos e biológicos têm, assim, um papel relevante na origem destes problemas.

As doenças mais encontradas são as doenças gastrointestinais. Esta, juntamente com as alergias, doença inflamatória intestinal, esofagite, gastroparésia e obstipação são exemplos de causas orgânicas que podem contribuir para os problemas alimentares. As anomalias anatómicas das estruturas associadas com a alimentação, como freio curto, fenda do palato/lábio, macroglossia, anel esofágico, fístula esofágica, estreitamento esofágico; disfunções motoras orais e outras patologias orgânicas como as disfunções metabólicas e doenças cardiorrespiratórias também podem ser causadoras. Um segundo grupo de agentes causais são as doenças do neurodesenvolvimento, do desenvolvimento intelectual, do espectro do autismo e doenças neurológicas.


Como intervém uma equipa multidisciplinar?


Como vimos, os problemas alimentares podem ter diversas razões, desse modo, cada caso é único e portanto deve ser individualizado, multidisciplinar e focado nos fatores que contribuem para as dificuldades alimentares. A equipa multidisciplinar consiste em profissionais especializados como os terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais e psicólogos.


A terapia da fala nas dificuldades de alimentação:

O terapeuta da fala é o responsável pela avaliação e intervenção nas áreas oromotoras - controlo, força e mobilidade nas estruturas da boca, face e garganta.


A terapia ocupacional nas dificuldades de alimentação:

O terapeuta ocupacional encarrega-se das questões sensoriais - “ver, ouvir, cheirar, tocar e saborear”.


A psicologia nas dificuldades de alimentação:

O psicólogo encarrega-se das questões comportamentais, como ensino de técnicas e estratégias, e do apoio e cuidados à família.


Algumas recomendações para pais:

Quando as dificuldades alimentares são na infância existem algumas sugestões que podem ajudar os pais. Assim:

  • Envolver a criança no planeamento do menu e preparação da refeição (tocar e sentir os alimentos) familiarizando-a com os alimentos;

  • Expor a criança regularmente a novos tipos de alimentos;

  • Fazer escolhas saudáveis (frutas, vegetais);

  • Sentar-se com as crianças às refeições e lanches;

  • Ser um modelo positivo e comer o mesmo que as crianças;

  • Focar os aspetos positivos;

  • Não subornar a criança para comer;

  • Não forçar a alimentação enquanto se experimentam diferentes combinações de alimentos, paladares e texturas;

  • Ser paciente.

Fontes: Dificuldades Alimentares em Idade Pediátrica de Sofia Baptista

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