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Amputação: Das causas à reabilitação

A amputação é a condição em que existe perda, parcial ou total, de um membro. Pode ocorrer em diferentes níveis, determinado pela avaliação do potencial de cicatrização do membro associado ao potencial funcional para o paciente. Geralmente preserva-se o máximo possível para a posterior reabilitação do paciente, com o uso de próteses.


Uma amputação pode ter causas traumáticas, tumorais, infeciosas, congénitas ou vasculares. As principais complicações que ocorrem com o membro residual que influenciam diretamente o processo de reabilitação são o edema, as dores fantasma, deformidades e contraturas e problemas no revestimento cutâneo, nomeadamente na cicatrização da ferida cirúrgica. A dor é comum após amputação. Existem várias situações que podem desencadear dor no membro residual após a amputação.


Uma cirurgia de amputação não deve ser considerada como um procedimento de último recurso ou uma falha terapêutica, mas antes um procedimento reconstrutivo com potencial para melhorar a independência funcional do indivíduo, a sua mobilidade e a sua qualidade de vida.



As causas:

Os níveis de amputação mais comuns são ao nível da coxa (transfemoral) e ao nível da perna (transtibial). Em Portugal, tal como na maioria dos países desenvolvidos, a causa mais frequente de amputação do membro inferior resulta de doença vascular periférica, em especial em indivíduos com mais de 60 anos. As amputações traumáticas são mais incidentes em populações de faixas etárias mais jovens, estando muito associadas a traumatismos causados por acidentes de viação e trabalho. Decorrem habitualmente de fraturas expostas graves, conduzindo a um compromisso elevado dos tecidos adjacentes, associados à lesão vascular ou neurológica.

Amputações decorrentes de tumores músculo-esqueléticos dependem do grau histológico do tumor, da compartimentação anatómica e da presença de metástases, exigindo uma amputação com margem de segurança para o utente, a fim de não comprometer o seu tratamento.

A origem infeciosa das amputações do membro inferior encontra-se muitas vezes relacionada com a Diabetes Mellitus, e a tríade clássica do pé diabético: doença vascular periférica, neuropatia periférica e infeção. As alterações da sensibilidade nas extremidades característica desta doença, assim como o atraso na cicatrização, torna os utentes muito mais suscetíveis ao desenvolvimento de úlceras, que muitas vezes evoluem para infeções, conduzindo a amputação dos membros.



A reabilitação:

A reabilitação dos utentes amputados deve ser iniciada, sempre que possível, antes da própria cirurgia, a fim de prevenir complicações após a cirurgia, aumentar a independência e autonomia do utente e maximizar a eficácia da reabilitação.

Assim a fase pré-cirúrgica deve incidir essencialmente na manutenção da mobilidade articular de todos os membros, aliviar o grau de ansiedade do utente, ensinar e treinar exercícios de reeducação respiratória, treinar a independência nas atividades de vida diária, a mobilidade no leito e transferências.


Cuidados a ter na fase inicial pós amputação:

Após a amputação, e num processo mais imediato, a principal preocupação prende-se com a cicatrização da ferida cirúrgica. Nesta fase deve-se promover a mobilidade do membro amputado.

  • Higiene no Membro Residual: os cuidados de higiene do membro residual devem ser aprendidos pelo doente e/ou seu cuidador e iniciados após remoção dos pontos cirúrgicos. A higiene deve ser diária e cuidadosa;

  • Inspeção do Membro Residual: no período imediatamente pós-amputação, o membro residual deve ser cuidadosamente observado de forma diária;

  • Cuidados e mobilização da cicatriz.

É importante também relembrar que todo o processo de reabilitação independentemente da patologia associada encontra-se relacionada com inúmeras variáveis, muitas delas intrínsecas ao utente, como a motivação pessoal e a aceitação da doença.


O papel da fisioterapia:

O fisioterapeuta tem um papel muito específico no que diz respeito ao coto, desde o trabalho de cicatriz, aplicação de ligaduras e fortalecimento muscular do coto à consequentemente adaptação física para a protetização.

Treino de equilíbrio e de marcha com a prótese e favorecer a realização de atividades de vida diária, com o uso ou não da prótese, consequentemente tornando o indivíduo o mais independente possível. É responsável ainda por melhorar e manter a força muscular global, equilíbrio, flexibilidade e a capacidade cardiovascular e respiratória.


O papel da terapia ocupacional:

É através da terapia ocupacional que se desenvolvem estratégias com o objetivo de maximizar as capacidades de autocuidado e autonomia. O terapeuta ocupacional desempenha um papel importante no que diz respeito à integração do utente na sociedade de forma ativa e funcional. É responsável por treinar a independência nas atividades de vida diária e preparar o coto para as atividades de vida diária e para a protetização. Além disso, pode avaliar e sugerir produtos de apoio que auxiliem o utente na sua nova condição.


O papel da psicologia:

O psicólogo deve promover uma comunicação honesta e realista para a aceitação e compreensão que a delicadeza do assunto exige. É responsável por aliviar o grau de ansiedade do utente e dar suporte emocional quanto ao uso da prótese. Assim como, auxiliar no período anterior à cirurgia, durante a hospitalização, no período de adaptação e na reabilitação psicossocial.


O papel do cuidador/ da família:

O cuidador poderá auxiliar o utente através de algumas ações diretamente relacionadas com os cuidados pós-amputação, tais como:

  • Mobilização precoce após a amputação;

  • Utilização de suportes adequados/adaptados;

  • Realizar exercícios de alongamentos e de fortalecimento muscular;

  • Estar atento a todas as alterações que ocorrem na pele do membro residual, deve-se prestar atenção a feridas, edema (“inchaço”), calor local, rubor (“vermelhidão”);

Outros links úteis:

Existem atualmente algumas instituições de apoio para os utentes amputados:

  • Associação Nacional de Amputados;

  • Grupo de interesse fisioterapia em pessoas com amputação (GIFPA)

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