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Perturbação do espetro do autismo: Dos sinais de alerta à intervenção terapêutica

A perturbação do espetro do autismo (PEA) é uma condição neurológica de desenvolvimento, presente desde a infância e de caráter permanente, decorrente de alterações no desenvolvimento e na maturação do sistema nervoso central. Segundo a definição da Harvard Medical School, é uma perturbação do desenvolvimento do cérebro em que as pessoas têm dificuldade de comunicação e nas interações sociais, podendo apresentar ainda padrões de comportamento, interesses e atividade fora do habitual.


A designação de espectro foi atribuída pela variabilidade dos sintomas, desde as formas mais leves até às formas mais graves. Na PEA, existem hipersensibilidades sensoriais, isto é, uma maior sensibilidade a luzes, sons e texturas. Existem também, padrões de comportamento restritos e repetitivos, que permitem à criança regular-se e tranquilizar-se, criar sentido e previsibilidade em situações desconhecidas.



É do conhecimento geral, que pessoas com autismo tendem a fazer comentários pouco adequados, interpretam literalmente as conversas, não percebem trocadilhos ou ironia, têm dificuldade em interpretar a comunicação sem palavras e a linguagem corporal, e não fazem amizades facilmente. Além disso, são pessoas muito dependentes de rotinas, muito sensíveis a mudanças no seu dia-a-dia ou, por vezes, muito preocupadas com certos objetos, ideias ou temas. Mas estas pessoas também podem ser capazes também de fazer coisas excecionais. Por exemplo, fazer cálculos matemáticos extraordinários, pintar e desenhar muito bem ou tocar um instrumento de música maravilhosamente.

Nesse sentido, é muito importante que os pais e educadores estejam envolvidos e informados, de forma a existir coerência na forma de interagir com a criança. Neste artigo encontra os primeiros sinais de alerta, a importância de uma intervenção terapêutica multidisciplinar, bem como algumas estratégias para as famílias.

Sinais de alerta

Estima-se que os primeiros sinais de autismo, ainda que não estejam presentes à nascença, possam manifestar-se, entre os 6 e os 12 meses de idade, através de um atraso ou desenvolvimento atípico de comportamentos sociais e comunicativos.

  • Não responder ao seu nome;

  • Fraca imitação verbal e não-verbal;

  • Dificuldade em estabelecer e manter contacto visual;

  • Atraso no desenvolvimento motor;

  • Défices no estabelecimento e manutenção da atenção conjunta (por exemplo, prestar atenção a um mesmo objeto que um adulto) e no jogo simbólico (brincadeiras de faz-de-conta);

  • Défices na reciprocidade no comportamento afetivo;

  • Comportamentos repetitivos e bizarros;

  • Variações extremas de comportamento.

A PEA manifesta-se através de movimentos motores estereotipados ou repetitivos, ou uso de objetos ou fala de modo repetitivo e constante. Existem dificuldades ao nível da reciprocidade emocional, isto é, em iniciar e/ou manter uma conversa com outras pessoas, partilhar interesses e interagir socialmente bem como dificuldades ao nível da comunicação não verbal, isto é, em entender, descodificar e replicar a linguagem não verbal. Consequentemente, as pessoas com PEA demonstram dificuldades em desenvolver e manter relacionamentos. Além disso, pode surgir uma insistência inflexível em manter rotinas, ou padrões ritualizados de comportamento verbal ou não-verbal, assim como interesses específicos em diferente intensidade e/ou foco.

O diagnóstico clínico de PEA pode não ser imediato. No entanto, se suspeita de que o seu filho tem autismo, lembre-se de que:

  • Quanto mais cedo for diagnosticado o autismo, maiores são as probabilidades de uma intervenção bem sucedida. Faça todos os rastreios indicados para o seu filho no seu centro de saúde. Os rastreios foram extensamente testados para detetar problemas de desenvolvimento infantil.

  • É bom conversar com os professores do seu filho; eles conhecem muitas crianças e aquilo que lhe parece estranho pode, afinal, ser normal para a idade; os professores podem também ser os primeiros a dar o sinal de alerta.

  • Não vale a pena procurar respostas com vizinhos ou com a internet; se tiver suspeitas, vá a uma consulta da especialidade.

Intervenção terapêutica:

As perturbações manifestam-se de formas muito diferentes e com diferentes níveis de intensidade em cada indivíduo. A intervenção com crianças é realizada principalmente com recurso ao brincar. Uma vez que o autismo não é identificado por um único sintoma ou comportamento, não há uma abordagem que seja eficiente por si só. A intervenção nas perturbações do espectro do autismo deverá ser sempre individualizada e deve ocorrer de uma perspetiva multidimensional e multidisciplinar.

Psicologia:

A intervenção direta junto da pessoa com PEA, baseada essencialmente no modelo cognitivo-comportamental, visa a promoção de competências em áreas como socialização, cognição, desenvolvimento emocional, bem como na atuação nos comportamentos desadequados e na sintomatologia psicopatológica que pode surgir associadas à PEA, como por exemplo, ansiedade, depressão, défice de atenção, impulsividade, entre outros. É ainda realizada intervenção de suporte à família, quer em termos de aceitação do diagnóstico, quer em termos de estratégias para lidar com as questões e dificuldades que vão surgindo ao longo do desenvolvimento.

Terapia ocupacional:

O terapeuta ocupacional tem como principal objetivo maximizar a capacidade da pessoa com PEA desempenhar e participar nas atividades, que são significativas para si e para a sua família. Intervém de forma a desenvolver competências para escrever, de motricidade fina e da vida diária. No entanto, o papel mais importante é também avaliar e intervir nas disfunções de processamento sensorial.

Terapia da fala:

Os objetivos da terapia da fala, na pessoa com PEA, passam principalmente pela promoção e potencialização da comunicação, linguagem e fala, de acordo com a individualidade de cada sujeito. A intervenção do terapeuta da fala passa pela promoção de uma comunicação funcional, o que poderá envolver o uso da comunicação aumentativa e/ou alternativa, com o objetivo de promover e/ou compensar, de uma forma temporária ou permanente, incapacidades ou dificuldades de expressão.

Fisioterapia:

A maioria dos estudos encontrados na literatura relacionados ao tratamento de crianças diagnosticadas com o espectro autista cita somente o acompanhamento de psicólogos, terapeutas ocupacionais e profissionais de musicalidade, negligenciando a repercussão motora que a doença pode trazer. O fisioterapeuta pode ter um papel importante estimulação sensorial e motora, melhorando a coordenação, postura, equilíbrio; e no desenvolvimento da força muscular.




Estratégias para as famílias:

Para a maioria das famílias deparar-se com o diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo de um filho é um momento avassalador. Surgem medos, receios e dúvidas. Muitas vezes os pais não sabem como lidar com comportamentos como as birras, o choro, a agressividade e o desafio. Estes são momentos de grande desgaste físico e emocional para toda a família, contudo, existem algumas estratégias que podem prevenir este tipo de comportamentos e promover mudanças comportamentais positivas. Independentemente das estratégias utilizadas é fundamental manter a calma para não reforçar os comportamentos indesejados. A atitude da família e a forma como lidar com a situação têm um impacto real no desenvolvimento de uma criança com autismo.

  • Uma intervenção educativa precoce e específica melhora a aprendizagem, a comunicação e a interação social em crianças com autismo; procure sempre seguir as instruções dos especialistas de saúde e de educação;

  • As pessoas com autismo devem ser sempre ajudadas a atingir o seu máximo potencial e tentar que lhe sejam proporcionadas atividades dentro das suas áreas de interesse;

  • Existem medicamentos, prescritos pelo médico especialista, que podem melhorar alguns dos comportamentos, em que as crianças ficam mais serenas, mais atentas e para poder beneficiar com os outros tipos de intervenção;

  • É importante monitorizar o sucesso das medidas instituídas nas consultas médicas de seguimento no sentido de fazer os ajustes necessários;

  • A companhia de outras famílias na mesma situação, por exemplo em associações (exemplos: Federação Portuguesa do Autismo e Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo) de pais e amigos, pode ajudá-lo a sentir-se mais apoiado; através destas associações, poderá também conseguir obter informações muito importantes para resolver os pequenos e grandes problemas do dia-a-dia.

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